6 de janeiro de 2016

O meu amor não cabe num poema




O meu amor não cabe num poema ― há coisas assim, 
que não se rendem à geometria deste mundo; 
são como corpos desencontrados da sua arquitectura
os quartos que os gestos não preenchem.

O meu amor é maior que as palavras; 
e daí inútil a agitação dos dedos na intimidade do texto ― 
a página não ilustra o zelo do farol que agasalha as baías 
nem a candura a mão que protege a chama que estremece. 

O meu amor não se deixa dizer ― é um formigueiro 
que acode aos lábios com a urgência de um beijo 
ou a matéria efervescente os segredos; a combustão 
laboriosa que evoca, à flor da pele, vestígios 
de uma explosão exemplar: a cratera que um corpo, 
ao levantar-se, deixa para sempre na vizinhança de outro corpo. 

 O meu amor anda por dentro do silêncio a formular loucuras 
com a nudez do teu nome ― é um fantasma que estrebucha 
no dédalo das veias e sangra quando o encerram em metáforas. 
Um verso que o vestisse definharia sob a roupa 
como o esqueleto de uma palavra morta. nenhum poema 
podia ser o chão a sua casa.

Maria do Rosário Pedreira 

11 de abril de 2010

Adagio...


I don’t know where to find you
I don’t know how to reach you
I hear your voice in the wind
I feel you under my skin
Whithin my heart and my soul
I wait for you
Adagio

All of these nights without you
All of my dreams surround you
I see and I touch your face
I fall into your embrace
When the time is right, I know
You'll be in my arms
Adagio

I close my eyes and I find a way
No need for me to pray
I’ve walked so far
I've fought so hard
Nothing more to explain
I know all that remains
Is a piano that plays

If you know where to find me
If you know how to reach me
Before this light fades away
Before I run out of faith
Be the only man to say
That you'll hear my heart
That you'll give your life
Forever you'll stay

Don't let this light fade away
No No No No No
Don't let me run out of faith
Be the only man to say
That you believe,
Make me believe
You won't let go
Adagio



20 de janeiro de 2010

As pedras choraram...


As pedras continuam ali meu amor...

Os degraus também...

Choraste em mim...

E as imagens continuam de pedra

30 de dezembro de 2009

Desejo-te Tempo

Não te desejo um presente qualquer
Desejo-te somente aquilo que a maioria não tem
Desejo-te tempo, para se divertir e para sorrir;
Desejo-te tempo para que os obstáculos sejam sempre superados
E muitos sucessos comemorados.
Desejo-te tempo, para planear e realizar,
Não só para si mesmo, mas também para doá-lo aos outros.
Desejo-te tempo, não para ter pressa e correr,
Desejo-te tempo para encontrar você mesmo,
Desejo-te tempo, não só para passar ou para vê-lo no relógio,
Desejo-te tempo, para que você fique;
Tempo para encantar-se e tempo para confiar em alguém.
Desejo-te tempo para tocar as estrelas,
E tempo para crescer, para amadurecer.
Desejo-te tempo para aprender e acertar.
Tempo para recomeçar, se fracassar.
Desejo-te tempo também para poder voltar atrás e perdoar.
Desejo-te tempo, para ter novas esperanças e para amar.
Não faz mais sentido protelar.
Desejo-te tempo para ser feliz.
Para viver cada seu dia como um presente.
Desejo-te tempo, tempo para a vida.
Desejo-te tempo. Tempo. Muito tempo!

14 de dezembro de 2009

Eu


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

20 de novembro de 2009

Pudesse eu... ...


Pudesse eu morrer hoje como tu me morreste nessa noite

—e deitar-me na terra; e ter uma cama de pedra branca e

um cobertor de estrelas; e não ouvir senão o rumor das ervas

que despontam de noite, e os passos diminutos dos insectos,

e o canto do vento nos ciprestes; e não ter medo das sombras,

nem das aves negras nos meus braços de mármore,

nem de te ter perdido — não ter medo de nada.



Pudesse eu fechar os olhos neste instante e esquecer-me de tudo

—das tuas mãos tão frias quando estendi as minhas nessa noite;

de não teres dito a única palavra que me faria salvar-te, mesmo

deixando que eu perguntasse tudo; de teres insultado a vida

e chamado pela morte para me mostrares que o teu corpo

já tinha desistido, que ias matar-te em mim e que era tarde

para eu pensar em devolver-te os dias que roubara.



Pudesse eu cair num sono gelado como o teu e deixar de sentir a dor,

a dor incomparável de te ver acordado em tudo o que escrevi

—porque foi pelo poema que me amaste, o poema foi sempreo

que valeu a pena (o mais eram os gestos que não cabiam

nas mãos, os morangos a que o verão obrigou);

e pudesseeu deixar de escrever nesta manhã,

o dia treme na linhados telhados, a vida hesita tanto,

e pudesse eu morrer, mas ouço-te a respirar no meu poema.


Maria do Rosário Pedreira

13 de outubro de 2009

Quando eu morrer...

Quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti.
Cobre o meu corpo frio com um desses lençóis
que alagámos de beijos quando eram outras horas
nos relógios do mundo e não havia ainda quem soubesse de nós;
e leva-o depois para junto do mar, onde possa
ser apenas mais um poema
- como esses que eu escrevia
assim que a madrugada se encostava aos vidros e eu
tinha medo de me deitar só com a tua sombra.
Deixa que nos meus braços pousem então as aves
(que , como eu,trazem entre as penas a saudade de um
verão carregadode paixões).
E planta à minha volta uma fiada de rosas brancas
que chamem pelas abelhas, e um cordão de árvores
que perfurem a noite - porque a morte deve ser clara
como o sal na baínha das ondas, e a cegueira sempre
me assustou ( e eu já ceguei de amor, mas não contes
a ninguém que foi por ti).
Quando eu morrer, deixa-me a ver o mar do alto
de um rochedo e não chores,
nem toques com os teus lábios a minha boca fria.
E promete-me que rasgas os meus versos em pedaços tão pequenos
como pequenos foram sempre os meus ódios; e que depois
os lanças na solidão de um arquipélago e partes sem olhar
para trás nenhuma vez: se alguém os vir de longe brilhando
na poeira, cuidará que são flores que o vento despiu,
estrelas que se escaparam das trevas, pingos de luz, lágrimas de sol,
ou penas de um anjo que perdeu as asas por amor.

Maria do Rosário Pedreira
Canto do Vento nos Ciprestes

12 de outubro de 2009

Caminho pelo lado da rebentação das ondas


Caminho pelo lado da rebentação das ondas ―
o litoral guarda segredo dos meus passos entre
as redes de sal trazidas pelos barcos
e o labirinto das algas ainda agora oferecidas à praia.

Sinto-me à mercê das falésias a riscar
o teu nome na areia; e é como se lentamente
pronunciasse um chamamento triste a que ninguém
acode. Fez-se tarde para os lamentos das sereias:

agora as marés dobam novelos de espuma à roda
dos meus pés, as águas já não transportam
a minha voz, a perder-se sobre as dunas
que os ventos vão desbastando devagar
ao cair da noite.

Tenho sempre medo que não voltes.

Maria do Rosário Pedreira

8 de setembro de 2009

Não adormeças...


Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.



Maria do Rosário Pedreira
de A Casa e o Cheiro dos Livros

12 de junho de 2009

I believe I can fly


I used to think that I could not go on
And life was nothing but an awful song
But now I know the meaning of true love
I’m leaning on the everlasting arms
If I can see it, then I can do it
If I just believe it, there’s nothing to it

I believe I can fly
I believe I can touch the sky
I think about it every night and day
Spread my wings and fly away
I believe I can soar
I see me running through that opened door, I
Believe I can fly,
I believe I can fly, I believe I can fly,

See I was on the verge of breaking down
Sometimes silence can seem so loud
There are miracles in life I must achieve
But first I know it starts inside of me

If I can see it, then I can be it
If I just believe it, there’s nothing to it

I believe can fly,
I can touch the sky
I think about it every night and day
Spread my wings and fly away
I believe i can sour,
I see me running through that opened door
I believe i can fly
I believe i can fly, i believe i can fly

Hey, cuz I believe in me, oh

If I can see it, then I can do it
If I just believe it, there's nothing to it

I believe can fly,
I can touch the sky
I think about it every night and day
Spread my wings and fly away
I believe I can sour,
I see me running through that opened door
I believe I can fly
I believe I can fly, I believe I can fly

24 de março de 2009

Dorme meu Amor


Dorme, meu amor,
que o mundo já viu morrer mais este dia
e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega
o pior já passou há muito tempo;
e o vento amaciou;
e a minha mão desvia os passos do medo.
Dorme, meu amor
a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres.
Mas nada temas:
as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me
eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo.
Fecha os olhos agora e sossega
a porta está trancada;
e os fantasmas
da casa que o jardim devorou
andam perdidos nas brumas que lancei ao caminho.
Por isso, dorme, meu amor,
larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas:
eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão,
já olhei a morte debruçada nos espelhos
e estou aqui, de guarda aos pesadelos
a noite é um poema que conheço de cor
e vou cantar-to até adormeceres.

Maria do Rosário Pedreira

20 de fevereiro de 2009

Tudo o que vem de ti é um poema. . .



Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos

e o teu perfume a transpirar na minha pele.

E o corpo doeu-me onde antes os teus dedos foram aves de verão

e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha camisola;

e eu despi-a para ti, a dar-te um coração que era o resto da vida

- como um peixe respira na rede mais exausta.

Nem mesmo à despedida foram os gestos contundentes:

tudo o que vem de ti é um poema.

Contudo, ao acordar, a solidão sulcara um vale nos cobertores

e o meu corpo era de novo um trilho abandonado na paisagem.

Sentei-me na cama e repeti devagar o teu nome,

o nome dos meus sonhos,

mas as sílabas caíam no fim das palavras,

a dor esgota as forças,

são frios os batentes nas portas da manhã.


Maria do Rosário Pedreira

26 de janeiro de 2009

...deixei de ouvir-te...

Deixei de ouvir-te.
E sei que sou mais triste com o teu silêncio.
Preferia pensar que só adormeceste;
mas se encostar ao teu pulso o meu ouvido
não escutarei senão a minha dor.
Deus precisou de ti, bem sei.
E não vejo como censurá-lo ou perdoar-lhe.
Maria do Rosário Pedreira

4 de maio de 2008

Uma Rosa...

Uma Rosa vermelha pela tua mão...
era tudo o que queria...
Ouvir a palavra Mãe
pela tua voz...
até num sonho ou no vento...
bastaria...